
Eu de neno era mui amigo das faltas de hortografia. Despois, a medida qe me fum fazendo maior já fum vendo-as mais de longe. Aínda assi bem que me alegrava ve-las aparecer de súbito, como fam elas, de sorpresa, na palavra e no momento menos pensado: Olá, aqui estou!
Durante anos as faltas de hortografia e mais eu fomos grandes colegas!
Mas…, sem querer, cada vez escrebia ponhendo mais atençom e cada vez apareciam menos faltas de hortografia que a anterior.
E ao final, nom sei como, um dia sentim que as faltas de ortografia desapareceram: lim o texto que acabava de escreber e todas as palavras estavam bem escritas!
Nom sei como chegou a suceder, eu sempre pensara que as faltas estariam sempre aí, comigo. Foi um desses dias de grande valeiro por dentro. Entristeceu-me pensar que realmente nom eram as faltas de hortografia as que me abandonavam a mim senom que era eu quem as estava abandonando a elas.
Assi foi como, para nom sentir-me longe das faltas de hortografia, decidim escreber deixando aparecer, discretamente, algum B no canto do V, comendo algum til disimuladamente ou esquecendo-me dum H de quando em vez.
E assi foi como as faltas de ortografia e mais fixemo-nos colegas inseparábeis!
Aínda que quando alguém me di sinalando-me com o dedo: Eh, que aí tes umha falta de ortografia!, eu digo-lhe -porque sei que ninguem me comprenderia se conto a verdade-: Vaia, é que sempre tivem problemas de atençom!, e sorrio por dentro.
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